Minha vida sempre foi mórbida, omissa de sentido. Por mais que eu vagasse pelas ruas soturnas do Japão, ainda era malvisto como um filho indesejado; um homem doente, sem o mínimo de amparo e tampouco digno de pena. Mas, de certa forma nunca me importei. Verdade, eu nunca dei tanta relevância pela forma que me tratavam. Não que eu esteja cínico, mas são os fatos.
Continuei trilhando através dessas vielas opacas na tentativa de, algum dia, propor um significado mais tolerante e até mesmo vistoso ao que eu enxergava como um sofrimento e punição eterna – direcionada por uma entidade vil ou talvez pelo mínimo acaso e capricho da vida.
Agradeço a mim mesmo por nunca ter desistido, pois foi através do lapso da morte, que pude encontrar um fragmento que tingisse minha vida novamente em cores lustrosas que fugissem do corriqueiro preto e branco. Ela estava diante de mim como um espectro rancoroso que não pôde efetuar sua transição ao outro mundo. Mas nada disso importava, pois dali em diante: prometi que a faria se sentir viva novamente.
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