Dizem que Elarion nasceu de um suspiro — o último fôlego dos deuses antes de desaparecerem sob o Trono de Cinzas. Mas ninguém se lembra do som desse suspiro. Somente das consequências.
Naquela noite, o céu sangrava. As constelações tremiam, mudando de lugar como se buscassem refúgio. E no centro do firmamento, onde o Sol e a Lua jamais deviam se tocar, surgiu uma fenda — um rasgo brilhante que pulsava como um coração prestes a parar.
Os magos do sangue a chamaram de Ferida Divina. Os feéricos, de Promessa Quebrada. Na Academia Astral, os Guardadores a reconheceram pelo que era de verdade: O prenúncio do Eclipse — o evento cósmico que ocorre a cada mil anos. E quando o Sol e a Lua se unissem, os Filhos do Eclipse despertariam, destinados a decidir o futuro do mundo. Mas ninguém sabe se eles iriam salvar Elarion… ou destruí-lo.
Anos depois, quando o Eclipse se aproximava, uma antiga profecia retorna:
“Quando o Sol e a Lua se unirem em um só céu, nascerão os Filhos do Eclipse — destinados a decidir se o mundo renascerá… ou queimará nas chamas do esquecimento.”
Nas torres suspensas da Academia, o som dos sinos ecoou pela primeira vez em um milênio. Os portões se abriram sob a chuva de estrelas, convocando todos os jovens marcados — mortais e imortais, inimigos e herdeiros. E enquanto os portais dimensionais se acendiam ao redor do continente, um vento estranho percorreu o mundo, sussurrando o mesmo nome em línguas esquecidas.
Um nome que ninguém lembrava, mas todos temiam. “A Casa do Eclipse desperta.”
Do alto das muralhas de Valedor, a imperatriz observava o céu escurecer. Seu oráculo, coberto por véus carmesins, tremia ao tentar traduzir os sinais. “Eles nasceram de novo, minha senhora. Os Filhos do Eclipse. Aqueles que trarão o fim… ou o recomeço.”
Enquanto isso, nas cortes feéricas, as sombras dançavam entre os tronos. Um Grão-Senhor da Corte Noturna ergueu uma taça de vinho negro e sorriu. “Que as estrelas mintam mais uma vez, então.”
E na Academia Astral — flutuando entre mundos, cercada por fendas dimensionais — os estudantes começavam a chegar. Cada um com seu segredo. Cada um com sua marca. Alguns buscando poder. Outros, redenção. Mas todos, sem saber, eram peças do mesmo destino. Quando o primeiro sino parou de soar, o silêncio caiu pesado — e o céu se partiu em dois.
Uma lágrima de luz cortou a escuridão e nas profundezas sob o Trono de Cinzas, algo despertou.
Todos os estudantes foram convocados para a cerimônia de alinhamento astral, onde uma explosão mágica destruiria metade da academia.
O Sol arde, a Lua cala e as Estrelas mentem… A Era dos Filhos do Eclipse havia começado.